Por uma política educativa de esquerda, contra o romantismo e o despesismo

É recorrente as políticas de esquerda serem criticadas por românticas e despesistas. O grupo de educação do LIVRE/Tempo de Avançar, composto atualmente por 38 subscritores do movimento, está empenhado em contrariar esta ideia, com três linhas de argumentação.

  1. A educação não é despesa, mas investimento. Romântico é pensar que, no mundo atual, podemos ter uma sociedade desenvolvida e uma economia competitiva, dentro do projeto europeu, com uma população ativa maioritariamente desqualificada. Os cortes de quase 20% no orçamento da educação, nos últimos quatro anos, com impactos devastadores, por exemplo, na educação de adultos, têm custos enormes na economia, mas também nos padrões de coesão, poupança, confiança, literacia, saúde, empregabilidade, criminalidade e cidadania dos portugueses, como têm mostrado diversos estudos internacionais sobre os impactos intangíveis da educação.
  2. Muitas das mudanças necessárias, hoje em dia, no sistema educativo têm custos despicientes. Fazer com que as escolas deixem de ser máquinas de exames e reprovações, dominadas pelo medo, o stress, a competição e a seleção, entre estudantes e entre docentes, para serem espaços de criatividade, inclusão, abertura, cooperação e cidadania, não é uma questão orçamental, mas sim político-ideológica. Não reconhecer que existem hoje diferentes formas de aprender e diversas fontes de saber, negar que é mais importante interpretar o mundo que nos rodeia do que encher-se de explicações e empinar a matéria para o exame, manter na escola um grande segmento de jovens desmotivados, alheados e fracassados, isso sim é romântico e despesista.
  3. Apesar dos cortes drásticos, a educação manteve-se uma fonte de financiamento de poderosos interesses privados. Centenas de milhões de euros podem ser canalizados para melhorar a qualidade das escolas públicas, se as subvenções aos colégios privados se limitarem a territórios onde não existe efetivamente oferta pública, se o Estado assumir o seu carácter laico e deixar de financiar o ensino da religião católica em todas as escolas (discriminando, aliás, as restantes orientações religiosas), se houver uma política criteriosa de escolha e aproveitamento dos manuais escolares, etc. Pensar que o orçamento do estado português permite financiar uma escola pública de qualidade e ainda uma série de interesses privados instalados, isso sim é romântico e despesista. Só não é radical porque já nos habituámos a tais abusos. Mas queremos continuar a viver com isso? Ou atrevemo-nos a mudar?
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