A Europa a salvar-se de si mesma

O ano de 2015 ficará marcado pelos enormes desafios que os países europeus, bem como a União Europeia como um todo, enfrentaram e, sobretudo, pelo modo como lhes responderam. Da humilhação ao governo grego pela sua luta contra uma política de austeridade cega ao mesmo tempo que se fechavam os olhos aos abusos autoritários na Hungria à crise dos refugiados, passando pela resposta ao terrorismo e ao conflito na Ucrânia, foram muitos os momentos em que os países europeus foram postos à prova e falharam. Falharam em primeiro lugar a título individual, não tendo conseguido apresentar soluções para inverter um ciclo de empobrecimento – social, económico e por vezes até democrático – e, em segundo, a título colectivo. Os problemas estruturais da UE não só se mantiverem como se agudizaram, ficando patentes as falhas no desenho do projecto europeu e da União Económica e Monetária, a díspar distribuição do poder de decisão entre os diferentes Estados-Membros, o poder de um Eurogrupo sobre o qual não existe qualquer controlo democrático e a falta de capacidade de falar a uma só voz nas questões de política externa.

O projecto europeu encontra-se numa fase decisiva. Após um ano desafiador, 2016 poderá ser o ano de todas as decisões. Ou os países europeus se comprometem a aprofundar o projecto europeu, tornando-o naquilo que deve ser, uma europa dos povos e não dos mercados, ou o espírito nacionalista anti-UE continuará a crescer nos quatro cantos do continente, com consequências imprevisíveis. É com o objectivo de democratizar a Europa que surge o DiEM25  (Movimento Democracia na Europa 2025), cujo rosto mais conhecido é o do anterior ministro grego Yannis Varoufakis e que será apresentado a 9 de Fevereiro, em Berlim. No manifesto provisório recusa-se a existência de apenas “duas falsas escolhas”: o casulo do Estado-nação e a subserviência a “Bruxelas”, defendendo-se uma terceira alternativa. Este texto serve também como um guia prático, indicando medidas que podem ser tomadas em quatro horizontes temporais diferentes começando desde já e culminando em 2025 e que terão como resultado uma Europa mais democrática.

O aparecimento deste movimento pan-europeu pode revelar-se de grande importância para o futuro da UE. Para ser bem-sucedido, precisará em primeiro lugar de nascer e crescer de forma independente. Se ficar exclusivamente associado a um indivíduo e for visto como um projecto unipessoal, as possibilidades de fracasso aumentam de forma exponencial. É necessário que os partidos políticos, as organizações de sociedade civil e todos aqueles cidadãos europeus que acreditam numa Europa mais solidária e mais justa assumam o seu compromisso e que lutem por esse objectivo.  Para os partidos políticos de esquerda, um movimeno pan-europeu nos moldes do DiEM25 é uma oportunidade para recuperaram o seu carácter internacionalista e tentarem de forma mais eficaz e coerente a prossecução dos seus objectivos comuns.

É preciso recuperar o espírito europeu e para tal é fundamental  que a União Europeia seja mais democrática. Não existirão muitas mais hipóteses de corrigir o rumo desastrado que a Europa tem seguido. O tempo é de crise e a mensagem é clara: é preciso que a Europa se salve de si mesma.

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