Da extrema-direita para a União Europeia, com amor

Foi há meia dúzia de dias, e ainda está bem presente nas nossas mentes, o homicídio – eu prefiro chamar-lhe assassinato – da deputada trabalhista britânica Jo Cox* por um nacionalista de extrema-direita que gritou o nome daquele mini-partido que nunca tinha sido falado em Portugal, uma espécie de PNR lá do sítio, o britain first (as minúsculas são propositadas).

Ainda que o tal partido diga que nada tem a ver com o assassino, é interessante ver qual é a resposta dos nacional-fascistas à dedicação de alguém a causas humanitárias que tanto incomodam os ignorantes. À falta de argumentos que rebatam os factos para tentar conquistar o voto, e estou claramente a falar de quem usa a “ameaça” da imigração e dos empregos que os “estrangeiros” vão roubar para apoiar a saída do Reino Unido da União Europeia, a violência parece ser a resposta mais fácil. E é, claro. Mas nem sempre corre como esperado.

Hoje, pela primeira vez em não sei quanto tempo, as sondagens voltaram a pender para o lado do Remain, deixando Nigel Farage, Boris Johnson e restante compadrio a tremer. O empate a 44% (ver imagem abaixo) do Financial Times mostra que a resposta a esta ameaça está a ser bastante clara: união contra desestabilização.

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Se este brutal ataque perpetrado pela extrema-direita nacionalista britânica vai ter alguma repercussão, será uma completamente contrária ao pretendido: o remain vai acabar por ganhar. E os Farages e Boris deste mundo vão perder mais uma batalha.

 

*Não há homenagens suficientes que possam ser feitas ao honroso trabalho da deputada Jo Cox. Ficará para a história como um trágico símbolo de esperança e união.

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Por ti, Charlie. #JeSuisCharlie

Charlie Hebdo sou eu e Charlie Hebdo és tu. Charlie Hebdo somos todos. Mas há quem não o queira ser. O nosso Governo não o quer ser. Um ataque nojento e bárbaro como este que hoje assombrou França merecia uma atenção mais especial do que uma simples nota de imprensa a condenar «o violento atentado ocorrido em Paris, que provocou mais de uma dezena de mortos e vários feridos».

Em três parágrafos, três míseros parágrafos, não há uma única referência aos atentados à liberdade de expressão e à liberdade de informação perpetrados por três fulanos que tentaram violentar de uma forma odiosa uma publicação satírica. Uma simples frase era o que bastava. O Governo de Portugal condena veementemente o atentado à liberdade de expressão e de informação cometido contra a revista Charlie Hebdo. Não. Nem isso. Não foi só um atentado em França. Não foi só um «atentado ocorrido em Paris». Foi em tudo muito mais do que isso. Foi um atentado a todos nós, povo do mundo, e a toda a evolução que se deu neste planeta na luta contra a censura e a opressão e pelo direito à informação. Os visados foram os jornalistas, sim, aqueles que trabalham para que nós, população, estejamos informados e saibamos o que se passa no mundo.

O terceiro ponto do Código Deontológico do Jornalista diz: «O jornalista deve lutar contra (…) as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.»

Alguém que por favor diga ao Governo e em especial ao Ministro dos Negócios Estrangeiros que cabe a todos nós, repito, TODOS NÓS, defender a liberdade de expressão e a liberdade de informação e condenar aqueles que atentam a estes direitos.