De que lado estamos?

Sim ou não. À complexidade da pergunta feita no referendo de hoje, as alternativas de resposta dadas aos gregos são simples: Sim ou Não. Até ao final do dia, quando deverão ser conhecidos os resultados desta consulta, a Grécia, bem como os restantes países da União Europeia, sustém a respiração. O que acontecer hoje em Atenas poderá ditar o futuro do Euro e, a prazo, do próprio projecto europeu. Contrariamente à mensagem que a oposição grega e a maioria dos líderes europeus, numa escandalosa ingerência nos assuntos internos de um país da União, tentam passar, não se referenda a permanência da Grécia no Euro e na União Europeia. Pelo contrário, este referendo pretende dar força àqueles que, a partir de dentro da zona Euro, querem reformular a moeda e apresentar um caminho alternativo à austeridade que conduziu a Grécia e vários outros países europeus ao empobrecimento. A esta pergunta de apenas duas respostas possíveis, não há terceira via e, para o esclarecimento de todos, seria importante que os governantes europeus indiquem de que lado estão.

Após uma campanha a favor do Sim, levada a cabo por todos os meios de comunicação privados gregos e que contou com o apoio de vários líderes europeus – tanto de direita como sociais-democratas -, a vitória do Não será uma prova de coragem dada pelo povo grego. A vitória do Não representará uma oportunidade para relançar a discussão sobre que União Europeia queremos. Choca-me que os líderes socialistas, já tão desacreditados por essa Europa fora, estejam na linha da frente dos que fazem campanha pela continuação da austeridade, preferindo ver os gregos presos à espiral de pobreza em que se encontram, em vez de apoiarem o primeiro governo que teve a coragem de apontar um caminho alternativo. Como se já não bastasse o não-apoio ao governo grego na procura de uma solução para os seus problemas de financiamento, é confrangedor assistir a apelos mais ou menos claros ao voto Sim feitos pelos dirigentes da esquerda europeia, em mais uma prova da sua capitulação à política da austeridade cega.

Em Portugal, a mais que provável próxima vítima dos ataques dos mercados financeiros, a reacção do líder do PS não deixa de ser surpreendente. Após se ter vangloriado com a vitória do Syriza nas eleições de Janeiro, esquecendo-se completamente de referir o PASOK, seu partido congénere, António Costa tem-se mostrado, de forma mais ou menos dissimulada, a favor da vitória do Sim no referendo grego. Embora se tente passar uma esponja sobre esse facto, o quase desaparecimento do PASOK deveu-se à sua capitulação perante a austeridade. O PS, que continua sem descolar nas sondagens, deveria olhar para o seu partido irmão na Grécia e perceber que os cidadãos não estão dispostos a aceitar a austeridade de forma eterna  e que a ambiguidade se paga de forma cara. O referendo de hoje é uma oportunidade única de dizer sim ao projecto europeu, de dizer sim a uma Europa dos povos e sim a um futuro melhor. Como português e como europeu que continua a acreditar na solidariedade europeia, só posso esperar que o Não saia vencedor.

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